Este é o seu espaço de encontro entre o Mundo Espiritual e o Mundo Material. É a ponte para as dúvidas que muitas vezes pairam entre nós. É a ajuda para solucionar os seus problemas, é a orientação a quem necessita. É a Essência da Vida traduzida em palavras. Por isso, apareça, relaxe, viaje neste espaço e siga o seu coração tirando todas as suas dúvidas.

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Sábado, 15 de Outubro de 2011

A CONSCIÊNCIA DE UM TERREIRO

Porque é que as pessoas procuram um Templo ou um Terreiro? Pela empolgação? Pelo movimento? Ou por que alguém lhe disse que o caminho era aquele? Ou pelos mil labirintos que a vida lhe apresenta?

Tudo num terreiro deve ser muito bem questionado, porque um dia esta pessoa pode parar para pensar - já com olhos de dentro -, e se questionar sobre o que realmente está fazendo naquele local. Ela irá concerteza se interessar e começar a pesquisar o passado, a base, o conhecimento, a preparação de quem está dirigindo o espiritual e a consciência das pessoas ali reunidas. Se foi alguma síndrome ou doença que levou este dirigente até a sua função, ou quais os motivos que fez com que trabalhasse em uma missão tão difícil. Tudo deve ser levado em conta pelo INICIANTE - assim considerado depois que começa seu desenvolvimento - , porque um dia se poderá cobrar pela longa ou decepcionante caminhada, situação essa muito comum na maioria dos casos.

Antes de falarmos em Religião, Incorporações, Manifestações Mediúnicas ou ORIXÁ, todo Ser devia pensar que precisa estar em contato com um MUNDO DE ACTUAÇÃO em favor da Humanidade, onde pode colocar toda a sua força. Se fechar ou cercear essas forças durante o tempo de complexidade de Formação Sacerdotal, vai estacionar com certeza, e a humanidade não tem como esperar por isso.

Temos muitos exemplos em muitas religiões, positivos e negativos. Homens que pegaram a religião e transformaram-na em um reduto de poder entre as classes, e ficou só a memória da raiz deles. Não existe a necessidade do grande “mago” para que a humanidade possa levar essa força e transformação para todo o mundo. Se voltarmos ao grande mago, aqueles princípios tão conhecidos por todos, não esqueçamos que a humanidade ficou presa aos "grandes magos" durante muitos anos. Na verdade, o que todos querem é a LIBERTAÇÃO DO GRANDE MAGO. Dividir e ser parte desse grande poder e estar dentro desse movimento e não ficar periférico ao movimento, na orla. E o povo precisa desse poder já!

Existem milhares de Tradições Esotéricas na Europa, do passado e de agora, que actuam como “Sociedade Secreta”. Uma necessidade de tornar o conhecimento secreto, quando a Ciência já prestou grandes favores de se tornar compreendida. Hoje, qualquer um que quiser aprender Ciência, entra em uma Universidade e não tem mistérios. Aprende!

Se quiser saber sobre Leis Físicas, ou Químicas, da Água e do Fogo, é só entrar em uma Universidade e saber e entender o que é isso, e conhecer inclusive qual é o limite da própria Ciência. É mais honesto pegar uma criança que quer entrar na religião e dar a ela o compromisso de estudar toda a Ciência que está no conhecimento adquirido. Que vá para uma Universidade, ler, entender as Leis da Ótica, todas as Leis da Física, da Matemática. E esta criança estará suficientemente pronta, com conhecimento para entender qualquer Ciência. Não é preciso tanto “segredo”, nem tantas Escolas Esotéricas ou Livros de Raiz e de Tradições antigas de Raças, seja lá o que for, enquanto não souber qual é o seu lugar nesse Universo.

Tudo “foi” e está sendo rompido. O homem já adquiriu este segredo e as Sociedades Secretas ainda não deram conta disso.

Não precisamos mais de “SOCIEDADES SECRETAS” para entender a Ciência. Esse momento já foi superado. Se formos para o código genético, vamos ver que já estão numa busca mais evoluída. O que todos querem de volta para a humanidade é o valor ético, a relação ética entre os homens.

Quem pode dar esse poder entre os homens, é a fala da linguagem simples e que todos conseguem entender e se entender. Ou seja, eu entender o seu sentimento, e você o meu e os sentimentos gerais da humanidade. Isso é o que interessa e não a religiosidade que vai ocupar esse lugar.

Com certeza, se houver uma religião, será UMA RELIGIÃO MUITO SIMPLES E QUE TODOS POSSAM ENTENDER. E que a palavra seja superada para que um japonês possa entender um africano, um russo possa entender um alemão, etc. Talvez seja através dos olhos ou da mão, alguma coisa dessas que nos permita entrar em contato com essa força humanista.

Vamos ter que simplificar, ao contrário dos magos, dos magos negros, das Sociedades Secretas, etc. Nós TEMOS É QUE ABRIR ISSO PARA TODO O MUNDO E NÃO FICAR FECHANDO.

Se formos falar do máximo conhecimento de um Roncó (palavra em Yorubá, tradição africana, que significa quarto, caminho, local onde são feitos os assentamentos para encontrar as forças naturais ou outros ritos praticados no Culto de Nação e Umbanda), até chegar num copo de água, o conhecimento maior pode estar naquilo que está assentado no copo de água.

A água que eu bebo, que o japonês bebe, que o africano bebe, que qualquer um pode beber: a água da Fonte. E nós vamos beber da mesma Fonte. Da Fonte desse conhecimento.

O esforço do “grande mago” é CONDUZIR SEUS FILHOS PARA ESTA SIMPLICIDADE E NÃO FICAR ASSUMINDO PODERES PARA SI, PARA DENTRO APENAS DE SUA MÃO. Ou então o conhecimento vai sempre ser privilégio de uma pequena elite, fechada e encerrada em si mesma, ainda lutando por um poder que já passou.

Esse período da humanidade já passou, já era e foi ontem.

A preocupação hoje é saber como alimentar milhares de pessoas no mundo, plantar e aperfeiçoar o conhecimento da Ciência para que o alimento seja plantado em quantidade para que não falte nada para ninguém.

Observando movimentos que estão se abrindo, começar a aproveitar o país evitando todos os erros que foram cometidos com herbicidas, inseticidas, etc. Essa é a grande função do homem em busca das grandes soluções humanas. É a ciência humanitária: como recuperar a água da humanidade.

Todos os iniciantes devem entender o que faz uma entidade como parte de uma Corrente de Trabalho, atendendo pessoas, qual a energia que está sendo trabalhada, o axé, mas jamais fechar uma entidade em códigos e mistérios secretos.

Uma ENTIDADE quando se manifesta, na verdade o que faz, é um grande movimento de humanitarismo, uma grande fonte de humanidade, muito grande mesmo.

Muitos grupos negam a presença de “ENCANTADOS” nos Templos ou Terreiros de Umbanda, mas eles estão ai e não podemos negar, como também não podemos negar o conhecimento humanitário trazido pelos negros permitindo que fiquem trancados em conhecimento esotéricos e fechados.

Se certos esotéricos fizessem chover no Nordeste do Brasil e em tantos países, e, fizessem com que na Índia não houvesse tanta fome e miséria, que uma terceira guerra não existisse, até poderíamos parar para pensar um pouco.

Certos presidentes de templos de Umbanda ou de Candomblé, e, de muitas correntes chamadas espiritualistas, querem mostrar que existe entre eles e a pessoa que lhes pede ajuda uma grande diferença. É onde começa o caminho da inverdade e do pseudo-poder enrustido em fachadas.

Eles investem tudo o que tem quando alguém os procura, vestem todos os paramentos para ficar claro que só eles que “podem”, que só eles que são grandes; fazem de tudo para demonstrar como as pessoas que os procuram são pequenas.

É preciso entender que a humanidade só veio a ter conhecimento do médico quando ela veio a ter o conhecimento do doente. O doente é que trouxe o médico e não ao contrário. Não foi o médico que nasceu primeiro. Primeiro nasceram os problemas e depois como trabalhar em cima deles.

É muito importante para um Dirigente Espiritual que, quando uma pessoa que chega a um templo, para entrar na religião, saber se essa pessoa acredita em ORIXÁ, em FORÇAS e ENERGIAS que vem da terra, e que esse Pai ou a Mãe de Santo, que a receba, reconheça nessa pessoa também que está chegando ao seu Templo ou Terreiro, uma parte da imensidão do universo, mesmo que essa pessoa nova possa estar a atravessar problemas passageiros de insegurança ou outras situações, e que pode não estar sabendo administrar e dominar naquele momento.

Na verdade, se o Pai ou Mãe de Santo tiver um pouco de sensibilidade, na hora em que chegar uma Filha de Yemanjá, de Oxum, de Yansã ou de Nanã ou outra força natural em sua casa terá que escutar o barulho do mar, da cachoeira, dos ventos, da sabedoria, da mata, ou dos rios, dentro dessa pessoa nova.

TEM QUE PERCEBER QUE AQUILO É O OURO DA PESSOA, AQUILO QUE GARIMPOU, QUE É COMO UM DIAMANTE, A COISA MAIS PRECIOSA PARA SEU TEMPLO.

E DEVE ABRIR TODOS OS CAMINHOS PARA QUE AQUELA PESSOA POSSA CHEGAR.

NA VERDADE, ESTÁ RECEBENDO UM VERDADEIRO OURO EM SUA CASA, A GRANDE RIQUEZA, E NÃO É O CONTRÁRIO QUE É VERDADEIRO.

A PESSOA QUE CHEGA AO TERREIRO É QUE ESTÁ TRAZENDO SEU TESOURO PARA DENTRO DO TEMPLO. E O PROBLEMA QUE TROUXE PODE SER TÃO PEQUENO, QUE COM UMA BOA CONVERSA PODERIA E PODE SER RESOLVIDO FACILMENTE. SEM A NECESSIDADE DE SE MEXER COM GRANDES FORÇAS.

É SÓ AUXILIAR A ORGANIZAR UM POUCO A CABEÇA.

Todos nós temos uma imensa necessidade de espiritualização e isso não morre na humanidade. É uma busca constante.

A doença do doente, as chagas, as suas feridas, as suas dores são a forma que o médico tem como possibilidade de aprender com seu paciente. Se não, a gente vai aprender só com o morto. Ou vamos ter corpos frios e fica a pergunta: para onde foi a vida daquele corpo?

O Pai ou a Mãe no Santo, os Sacerdotes, Mestres, ou como são chamados em seus templos, tem que estar simples e mostrando aos filhos que eles podem estar encontrando nele, e naquele Ser novo que está chegando, as mesmas coisas que necessita e não ao contrário. E não deve ficar com a postura de “eu sou o detentor do conhecimento”, como na maioria das vezes acontece.

Se uma pessoa se considera “detentor do conhecimento”, então deveria escrever um livro para que todos pudessem aprender tudo. Se a Ciência já fez isso, não existe necessidade de ficar "marmotando"(gente que não conhece magia e se faz de mago).

A Ciência não precisa ser recriada. Ela já existe, ela esta ai. Aquele que quer ajudar ao outro, que ensine, que leve para a Escola para aprender, etc.

O que faz uma pessoa humilhar a outra, subjugá-la, trabalhar para ela? Porque pensa que não tem conhecimento, que é ignorante. O que o homem necessita urgentemente, é ter conhecimento para se libertar. O que todos nós buscamos é ciência, conhecimento, sabedoria. Porque a espiritualidade, nós já carregamos dentro de nós e ela pode apenas estar adormecida.

O papel de todo religioso é despertar a espiritualidade nas pessoas que o procuram, e todo movimento deve se convergir para isso. Todo bom terreiro de Umbanda deveria ser como uma Escola ou ter junto uma Escola, um Colégio e se não puder ensinar a grande Ciência, que ensine as pessoas a ler e a escrever, que ensine a cidadania. A missão do verdadeiro religioso é ensinar o tempo todo, e muitos estão atrasados nisso. Ler livros é se libertar. Tirar o conhecimento das mãos de alguns e distribuir entre todos. Tem muita criança que foge da Escola e isso é responsabilidade de todos. O que nós estamos deixando de oferecer? Isso está plantado com muita força dentro de todas as pessoas. Ou não. Toda a Gira (Rito) de Atendimento público, deveria ter antes do ritual, aulas de matemática, de história, geografia, biologia, botânica, etc. Todos devem estudar o tempo todo. Todos precisam aprender a lidar com aparelhos sejam eles científicos, tecnológicos. Quando a penicilina foi descoberta, favoreceu a milhares de pessoas que a medicina salvou da morte. Antigamente o homem chegava aos trinta, quarenta anos e hoje ele está chegando aos 100 anos de idade. Nós estamos indo para um momento da humanidade em que a média de idade é de 100, de 120 anos. Está se prolongando. Isso é a UMBANDA ÉTICA que tem compromissos com o homem. É a Umbanda que vem vindo e não a podemos negar. Não podemos esperar que uma Entidade faça mágicas e tire coelhos de cartolas. A NATUREZA É A GRANDE MÁGICA. Se a pessoa está com um cancro, deve procurar entender o porquê de ter ficado doente. Onde é que aconteceu a sua falha e não deixar só a falha falar. Isso não! Deve saber em que momento dela se tornou em cancro. Ninguém está com o cancro. Ela se torna em cancro. Ou vai ficar á espera que todos fiquem á sua volta dizendo: Ai, coitadinho dele! Por quê? É um movimento, meu, seu ou do outro? É um novo momento o que está chegando, e o médico tem que fazer o paciente entender isso. A origem das coisas pode estar em nós mesmos. Não se podem colocar diferenças entre as pessoas na sua maneira de proceder, e que pode estar acontecendo um grande momento de espiritualidade e não o conseguimos ver.

Pai Pedro de Ogum

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Quarta-feira, 12 de Outubro de 2011

Laroyè Exu



Exu é a figura mais controvertida dos cultos afro-brasileiros e também a mais conhecida. Há, antes de mais nada, a discussão se Exu é um Orixá ou apenas uma Entidade diferente, que ficaria entre a classificação de Orixá e Ser Humano. Sem dúvida, ele trafega tanto pelo mundo material (ayé), onde habitam os seres humanos e todas as figuras vivas que conhecemos, como pela região do sobrenatural (orum), onde trafegam Orixás, Entidades afins e as Almas dos mortos (eguns).

Esse Orixá (ou Entidade) não deve ser confundido com os eguns, apesar de transitar na mesma Linha das Almas (uma das três linhas independentes) sendo o seu dia a segunda-feira; ficando sob o seu controle e comando, os Kiumbas (espíritos atrasadíssimos na evolução). Exu é figura de status entre os Orixás, que apesar de ser subordinado ao poder deles, constitui uma figura tão poderosa que freqüentemente desafia as próprias divindades. Sua função e condição de figura-limite entre o astral e a matéria, se revela em suas cores, o negro e o vermelho, sendo esta última a vibração de menor freqüência no espectro do olho humano, abaixo do qual tudo é negro, há ausência de luz.

Seus aspectos contraditórios também podem ser analisados sob outro ponto de vista: o negro significa em quase todas as teologias o desconhecido; o vermelho é a cor mais quente, a forte iluminação em oposição à escuridão do negro. Até em suas cores, Exu é o símbolo das grandes contradições, do amplo terreno de actuação.

Os Exus são considerados entidades poderosas, mas nem sempre conscientes dessa força, desconhecendo seus limites e suas conseqüências ao envolver os seres humanos vivos. Assim ao utilizar-se de suas vibrações, um iniciado precisa tomar cuidado para não permitir que Exu, mesmo com o propósito de ajudá-lo, provoque um descontrole energético que possa ser prejudicial ao ser humano.

Sua função mítica é a de mensageiro - é o que leva os pedidos e oferendas do homens aos Orixás, já que o único contato direto entre essas diferentes categorias só acontece no momento da incorporação, quando o corpo do ser humano é tomado pela energia e pela consciência do seu Orixá pessoal (quando a consciência de quem carrega o Orixá desaparece). É Exu quem traduz as linguagens humanas para a das divindades. Por isso, é imprescindível para a realização de qualquer ritual, porque é o único que efetivamente assegura em uma dimensão (ayé ou orum) o que está acontecendo na outra, abrindo os caminhos para os Orixás se aproximarem dos locais onde estão sendo cultuados.

O poder de comunicar e ligar, confere à ele também o oposto; a possibilidade de desligar e comprometer qualquer comunicação. Se possibilita a construção, também permite a destruição. Esse poder foi traduzido mitologicamente no fato de Exu habitar as encruzilhadas, passagens, os diferentes e vários cruzamentos entre caminhos e rotas, e ser o senhor das porteiras, portas entradas e saídas. Isso não entra em contradição com o fato de Ogum, o Orixá da guerra, ser considerado o senhor dos caminhos. Além da grande afinidade entre as duas figuras míticas (que são irmãos, de acordo com as lendas), Ogum é responsável pelo desbravamento, pelo desmatar e o criar de novos caminhos, pela expansão do reino, enquanto Exu é o senhor da força que percorre esses caminhos.

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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2011

Leitura de Buzíos - Atendimento a pessoas e empresas

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publicado por Pai Pedro de Ogum às 10:58
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Sábado, 1 de Outubro de 2011

Uma conversa com EXU

EXU

Dizem que Exu é um homem sério, castigador, espírito sem compaixão. Muitos falam que nem mesmo sentimento essas entidades apresentam.
Muitos temem Exu, relacionando – o com o Diabo ou com algum monstro cavernoso que a mente humana é capaz de criar.

Bem, dia desses, no campo santo de meu pai Omulu, vi algo inusitado que me fez pensar...

 Um desses Exus Caveiras, que apresentam essa forma plasmada como meio de ligação a falange pertencente, chorava sobre um túmulo. Discretamente, isso devo dizer, afinal os Caveiras em sua maioria são de natureza recatada e introspectiva, mas chorava sim.

Engraçado pensar nessa situação, não é mesmo? Ele chorava pelos erros do passado, chorava por uma pessoa a qual amava muito, mas não mais perto dele estava. Claro, sabia que ninguém morria, mas a saudade e o remorso apertavam fundo seu coração.

 Isso acontece muito no plano espiritual, onde muitas vezes os laços são quebrados devido às diferenças vibratórias. Na verdade o laço não se quebra, apenas afrouxam-se um pouco...

Mas, voltando a nossa história, fiquei a pensar muito sobre aquele tipo de visão. Pensei que ninguém acreditaria em mim caso eu contasse esse “causo”, afinal, Exu é homem acima do bem e do mal, exu não tem sentimento, exu não chora...

E para aqueles então que endeusam “seu” Exu, pensando ser ele um grande guardião, espírito da mais alta elite espiritual, espírito corajoso, sem medos, violento guerreiro das trevas. Exu acaba assumindo na Umbanda um arquétipo, ou mito, tão supra–humano, que muitas vezes ele deixa de ser apenas o mais humano das linhas de Umbanda. Arquétipo esse, diga–se de passagem, muito diferente do Orixá Exu, arquétipo base para a formação do que chamamos de Linha de Esquerda dentro do ritual de Umbanda.

É, eu acho que todo Exu chora. Assim como eu e você também. Inclusive, todo mundo chora, pois todos temos dores, remorsos e tristezas. Isso é humano. Mas, voltando ao campo santo...

 Logo vi um Exu, vestindo uma longa capa preta, se aproximar do triste amigo Caveira. O que conversaram não sei, pois não ouvi, e muito menos dotado da faculdade de ler os pensamentos deles eu estava. Mas uma coisa é certa: Os dois saíram a gargalhar muito!

 “Engraçado, como é que pode? Tava chorando até agora, e de repente sai rindo de uma hora pra outra?” _ pensei contrariado.

Fiquei alguns dias refletindo sobre isso, e cheguei a uma conclusão.
A principal característica de um Exu é o seu bom – humor. Afinal, mesmo em situações muito complicadas, eles sempre têm uma gargalhada boa para dar.
Na pior situação, mesmo que de forma sarcástica, eles se divertem. Ele pode escrever certo por linhas tortas, errado por linhas retas, errado em linhas tortas ou sei lá mais o que, mas uma coisa é certa, vai escrever gargalhando.

Admiro esse aspecto de Exu. Tem gente que de tanto trabalhar com Exu torna – se sério, “faz cara de mau”, vive reclamando da vida além de tornar – se um grande julgador.

A verdade é que nunca vi Exu reclamar de nada, nem julgar a ninguém. Pelo contrário, o que vejo é que Exu nos ensina a não reclamar da vida, pois tem gente que passa por coisa muito pior e o faz com honra e... Bom – humor!

Vejo também que Exu não julga ninguém, afinal, quem é ele, ou melhor, quem somos nós para julgarmos alguém?
Exu ensina que o que nós muito condenamos, assim o fazemos porque isso incomoda. E saber por quê? Porque tudo que condenamos está em nós antes de estar nos outros.

Por isso Exu não gosta daquele que é um falso pregador, aquele que vive dizendo como os outros devem agir, vive dizendo o que é certo, vive alertando os outros contra a vaidade, vive julgando, mas no dia – dia pouco aplica as regras que impõe para os outros. O mundo está cheio deles. E Exu sorri quando encontra um desses. Mais para frente eles serão engolidos por si mesmos. Pela própria sombra.
Mas Exu não ri porque fica feliz com isso, muito pelo contrário, ele até sente por aquela pessoa. Mas já que não dá pra fazer outra coisa, o melhor é sorrir mesmo, não é?

O certo é que a linha de Exu nos coloca frente a frente com o inimigo! Mas aqui não estamos falando de nenhum “kiumba”, mas sim de nós mesmos. O que eu já vi de médium perdendo a compostura quando “incorporado” com Exu não é brincadeira. Muitos colocam suas angústias pra fora, outros seus medos e inseguranças, muitos seus complexos de inferioridade. Tudo isso Exu permite, para que a pessoa perceba o quanto ela é complicada e enrolada naquele sentido da vida.

 Mas dizem que o pior cego é aquele que não quer ver, e o que tem de gente que não quer enxergar os próprios defeitos...

E não sobra opção a Exu, a não ser sorrir e sorrir mesmo quando nós nos damos mal.

 Mas, ainda falando dos múltiplos aspectos contraditórios de Exu, pois ele é a contradição em pessoa, devo ainda relatar mais uma experiência contraditória em relação a sua natureza.

Dia desses, depois de um “pesado trabalho de esquerda”, fiquei refletindo sobre algumas coisas. E sempre que assim eu faço, algo estranho acontece.

 Nesse trabalho, muitos kiumbas, espíritos assediadores, obsessores, eguns, ou sei lá o nome que você queiram dar, foram recolhidos e encaminhados pelas falanges de Exu que lá estavam presentes.

 Sabe como é, na Umbanda, a gente não pega um livro pesado e começa a doutrinar os espíritos “desregrados da seara bendita”. A gente entra com a energia, com a mediunidade e com os bons sentimentos , deixando o encaminhamento e “doutrinação” desses amigos mais revoltados nas mãos dos guias espirituais.

 Esse trabalho foi complicado. Muitos, na expressão popular, estavam “demandando o grupo”, ou seja, estavam perseguindo nosso grupo de trabalho e assistência espiritual, pois tinham objetivos e finalidades diversas e opostas. Ninguém tinha arriado um ebó na encruzilhada contra a gente, eram atuações vindas de inteligências opostas ao trabalho proposto e atraídas pelas “brechas vibratórias” de nossos próprios sentimentos e pensamentos. Mas que na Umbanda ainda acha – se que tudo que acontece de errado é culpa de algum ebó na encruzilhada, isso é verdade...

 Bom, o que sei é que alguns dias depois, durante a noite, enquanto eu dormia, alguém me levou até um estranho lugar. Eu estava projetado, desdobrado, desprendido do corpo físico, ou qualquer outro nome que vocês queiram dar. Fenômeno esse muito estudado por diversas culturas espiritualistas do mundo. Fenômeno esse muito comum também dentro da Umbanda, mas pouco estudado, afinal, muitos pensam que Umbanda é “só incorporar” os guias e de preferência de forma inconsciente! Sei, sei...Olha Exu gargalhando novamente!

Nesse local, um monte de espíritos eram levados até a mim e eu projetava energias de cura em relação a eles. Vi várias pessoas projetadas no ambiente, inclusive gente muito próxima, do grupo.

Alguns pouco conscientes, outros ainda nada conscientes. Mas, o importante, era a energia mais densa que vinha pelo cordão de prata e que auxiliava no tratamento daqueles irmãos sofredores.

Por quanto tempo fiquei lá não sei, afinal, a noção de tempo e espaço é muito diferente no plano astral. O que sei é que em um certo momento um Exu, que tomava conta do ambiente, veio conversar comigo:

_Tá vendo quanto espírito a gente tem “pego” daquelas reuniões que vocês fazem? _ perguntou o amigo Exu. 

_ Nossa, quantos! Muito mais do que eu podia imaginar.

_ E isso não é nada, comparado aos milhares que chegam, diariamente, “nas muitas casas” dos guardiões da Umbanda espalhados pelo Brasil. 

_Poxa, mas isso é sinal que o pessoal anda trabalhando bem, não é mesmo?

_ Hahahaha, mas você é um idiota mesmo, né? Desde quando fazer isso é um bom trabalho? Milhares chegam, mas sabem quantos saem daqui? Poucos! A maioria também para servir as falanges de Exu. O grande problema é que os médiuns de Umbanda, pouco ou nada cuidam dos que aqui ficam precisando de ajuda. 

_ Nossa missão aqui é transformar os antigos valores desses espíritos, mesmo que seja através da dor. Mas, depois disso, muitos precisam ser curados, tratados. E dessa parte os umbandistas não querem nem saber!

_Ah, ainda eu pego o maldito que disseminou que Umbanda só serve para cortar magias negras e resolver dificuldades materiais. Vocês adoram falar sobre amor e caridade, mas quase ninguém se importa em vir até aqui cuidar desses que vocês mesmos mandaram para cá. 

_ É que muitos não sabem como fazer isso amigo! _ tentei eu defender os umbandistas.

_ Claro que não sabem! Só se preocupam em “cortar demandas”, combater feitiços e destruir “demônios das trevas”. Grandes guerreiros! Mas nada fazem sem os vossos Exus, parecendo mais grandes bebês chorões querendo brincar de guerra! 

 _ Lembre–se bem. Todos que a mão esquerda derrubar terão que subir pela mão direita. Essa é a Lei. Comecem a se conscientizar que ninguém aqui gosta de ver o sofrimento alheio. Comecem a ter uma visão mais ampla do universo espiritual e da forma como a Umbanda relaciona – se com ele. 

 _Dedique – se mais a esses que são encaminhados nos trabalhos espirituais. Ore por eles, faça uma vibração por eles, tratem – os com a luz das velas e do coração. Busquem o conhecimento e forma de auxiliá–los.

  _Quero ver se amanhã, quando você não agüentar mais o chicote, e não tiver ninguém para te estender a mão, você vai achar tão “glamuroso” esse ciclo infernal de demandas, perseguições e magias negativas. Isso aqui é só sujeira, ódio, desgraça e tristeza. Poucos têm coragem de pousar os olhos sobre essas paragens sombrias. 

 _ É, isso é verdade. Muitos falam, mas poucos realmente conhecem a verdadeira situação do astral inferior a qual a Umbanda e toda a humanidade está ligada, não é mesmo?

 _Hahaha, até que você não é tão idiota! Olha, vou dar um jeito de você lembrar essa conversa ao acordar. Vê se escreve isso pros seus amigos umbandistas! E para de reclamar da vida. Quer melhorar? Trabalhe mais!

 _ Tá certo seu Exu Ganga. Só mais uma coisa. Um dia desses li num livro que Ganga é uma falange relacionada ao “lixo”. Mas você apresenta–se como um negro e ao julgar por esses facões nas vossas mãos, acho que nada tem a ver com o lixo...

 _ Lixo é esse livro que você andou lendo! Ganga é uma corruptela do termo Nganga, do tronco lingüístico bantu. Quer dizer “o mestre”, aquele que domina algo. O termo foi usado por muitos, desde sacerdotes até mestres na arte da caça, da guerra, da magia, etc. Algo parecido com o Kimbanda, mas esse, mais relacionado diretamente a cura e a prática de Mbanda. A linha de Exus Ganga é formada por antigos sacerdotes e guerreiros negros. É isso! Vê se queima a porcaria do livro onde você leu essa besteira de “lixo”...

 Pouca coisa lembro depois disso. 

 

 Despertei no corpo físico, era madrugada e não fui dormir mais. Agora estou acabando de escrever esse texto, onde juntei duas experiências em relação a Exu. Não sei porque fiz isso, talvez pelo caráter desmistificador da sua figura. 

Pra falar a verdade, essas duas estórias são bem diferentes. Primeiro um Exu que chora, sorri e ensina o bom – humor, o auto – conhecimento e o não julgamento. Depois um Exu que preocupa – se com o “pessoal lá de baixo”. Diferente, principalmente daquilo que estamos acostumados a ouvir dentro do meio umbandista.

 Talvez Exu esteja mudando. Talvez nós, médiuns e umbandistas, estejamos mudando. Talvez a umbanda esteja mudando.

Ou, quem sabe, a Umbanda e Exu sempre foram assim, nós que não compreendemos direito aquilo que está muito perto de nós, mas é tão diferente ao mesmo tempo.

Dizem que o pior cego é aquele que não quer ver...

 

PS: O termo "Ganga" é muito utilizado dentro da hierarquia do Candomblé de Nação Angola. Ganga forma o nome dos muitos graus existentes dentro dessa hierarquia. "Nganga" era na antiga África o  feiticeiro, o sacerdote, o ritualista. Depois esse termo acabou por virar Ganga. É inclusive dessa raiz que muito provavelmente venha "Ganga - Zumba", o lendário rei dos Palmares, tio de Zumbi dos Palmares. Além disso, diz João do Rio em seu livro, "As Religiões no Rio", que "Ganga - Zumba" é como os negros Cambindas chamam uma divindade muito parecida com o Oxalá dos nagôs - yorubás. Por fim, ainda existe todo um culto afro - cubano denominado os "Santos Ganga", muito parecido com a Santeria Cubana.

Autor Desconhecido

publicado por Pai Pedro de Ogum às 11:36
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O Pai Pedro de Ogum é o Dirigente Espiritual do Templo Sagrado de Umbanda, com Ordem de Ifá (Leitura de Buzíos), Pai Pedro de Ogum desenvolve actualmente um trabalho de organização e implementação da FEUCA - Federação Europeia de Umbanda e Cultos Afro, além do trabalho de divulgação dos fundamentos da Umbanda, ao efectuar Palestras e Workshops em prol de uma boa informação sobre o que é a Umbanda e os Cultos Afro.




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